quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Migrações Bárbaras


Migrações Bárbaras (sécs. V - VIII)

MIGRAÇÕES E INVASÕES

Já separadas do Oriente, as províncias ocidentais do Império romano, menos ricas, pior governadas, enfraquecidas pelas questões sociais e as dificuldades econômicas, abandonadas doravante a seus próprios recursos e às suas próprias defesas, sofrem, ao longo de todo o século V, os repetidos assaltos dos bárbaros vindos do leste e do norte. O choque contínuo, por vezes dramático, entre os povos romanos e os novos invasores provoca o que se chama a desintegração do Império romano. Esta desintegração, de fato, é somente um longo período de adaptação a novos equilíbrios étnicos e a outras estruturas políticas e sociais. Querer fixar em tal ou tal data o fim do Império romano e o começo da Idade Média é sem dúvida um predicamento de vulgarização ou de pedagogia muito cômodo; mas é conceder muita importância a um falso problema e se envolver em intermináveis discussões, muitas vezes inúteis.

Por outro lado, essas transformações dizem respeito somente ao Ocidente: o Império romano se mantém no Oriente. Constantinopla permanece a capital de um mundo romano, por muito tempo bilíngue, solidamente ligado a todas as tradições, à administração, ao direito, às hierarquias de outrora. Este Império "bizantino" empreende, no século VI, uma vigorosa reconquista das margens do Tirreno, resiste em seguida a todos os ataques dos novos bárbaros da Ásia, os persas e depois os árabes. Desaparece somente em 1453, sob o ataque dos turcos.

Enfim, se as invasões bárbaras dessa época' desempenharam um papel determinante na evolução do mundo ocidental e na deslocação do Império, são elas apenas um episódio importante, mais marcante, de uma longa série de avanços ou infiltrações, de aspectos muito variados, desde há muito ameaçadores, mas contidos pelos limes em todas as fronteiras do Império; intensificaram-se a partir do século II, acalmando-se bem mais tarde diante da resistência obstinada dos novos reinos e impérios. Toda a história da Europa permanece seriamente marcada pelos ataques de povos hostis, que, constantemente, retornavam à carga pelos mesmos caminhos. Após um curto intervalo, no tempo dos primeiros carolíngios, os escandinavos retomaram, no século IX, as rotas seguidas quatrocentos anos antes pelos conquistadores saxões, dos piratas da Frísia em direção à Inglaterra, às costas francesas do mar do Norte e da Mancha. No sul, na mesma época, os muçulmanos, como outrora os vândalos de Genserico, retêm o Mediterrâneo ocidental, as ilhas e as regiões do trigo. A leste, apesar das poderosas contra-ofensivas da cristandade, as vagas se sucedem quase ininterruptamente, ao longo de toda a nossa Idade Média; aos germanos se sucedem primeiramente os eslavos, os húngaros e depois todos os povos turcos provenientes da Asia Central: búlgaros, petchnegues, cubanos, mongóis principalmente: os de Gengis-Cã por volta de 1250, os de Tramelão no início do século XIV.

Além disso, essas incursões em direção ao Ocidente são apenas um aspecto, o menos importante sem dúvida, das grandes migrações de cavaleiros nômades da Ásia Central, que, no mesmo período, do século V ao XV, atacam ininterruptamente o Império chinês, onde, de 1260 a 1368, impuseram a dinastia mongol dos Yuan. Pode-se, assim, estabelecer um certo paralelo entre as dificuldades do Império romano de Constantinopla ou dos reinos cristãos do Ocidente e as do mundo chinês, entre os limes após as defesas mais flexíveis das cidades e dos castelos da Europa e a muralha da China. Em certa medida:, essas grandes migrações de povos, geralmente nômades, provenientes das estepes da Europa oriental ou da Asia, determinam os destinos dos mundos sedentários do nosso Ocidente e os da Ásia extremo­·oriental.


ORIGENS DAS MIGRAÇÕES

É naturalmente impossível dada a falta de informações precisas, atribuir-lhes causas bem nítidas: esses bárbaros são ainda muito mal conhecidos e seu enfoque histórico é muito arriscado e delicado. Não se pode, de um modo seguro, invocar exclusivamente nem uma degradação climática que tivesse afastado os pastores das planícies mais elevadas em direção a terras melhores, nem uma expansão demo gráfica suficientemente dramática, nem mesmo estruturas sociais particulares que provocassem a emigração de numerosos membros do clã em busca de nova sorte. É evidente apenas que a extrema mobilidade desses nômades-criadores das estepes, agricultores em queimadas de florestas da Germânia ou ainda piratas do mar. favorecia: empreendimentos arriscados e longínquos. Essa mobilidade, além disso, marca, durante toda a Idade Média e por vezes, bem mais tarde, nossos povos do Ocidente, nascidos dessas misturas étnicas.

Para o romano, o bárbaro é antes de tudo um soldado. Freqüentemente atribuiu-se o êxito das invasões a uma indiscutível superioridade militar: cavalaria mais leve e rápida, domínio absoluto da então difícil arte de forjar as armas. De fato, esses bárbaros combatem, ao que parece, de uma maneira bem diferente dos romanos: arcos de cavaleiros hunos montados em cavalos rápidos, espadas longas e lanças de cavaleiros vândalos ou alamanos, gládios mais curtos de infantes francos. Mas o mobiliário funerário, encontrado nos túmulos de cidades de soldados, indica com precisão apenas as armas dos francos, correspondentes ao período do século VI, bem posterior às primeiras invasões. Essas armas são todas ofensivas: o machado de um só gume - o célebre francisca - atirado de longe sobre o inimigo, a espada longa com dois gumes, o gládio ou scaramax de um só gume. Gládios e espadas demonstram Uma desconcertante habilidade na arte de ligar os metais, de temperar o aço, de soldar peças cuidadosamente produzidas. Essas armas trabalhadas com extraordinário esmero, cujos punhos e bainhas são freqüentemente decorados com desenhos incrustados de fios de ouro ou prata e pedras preciosas, assumem então um valor simbólico. Representam a sorte e o orgulho do guerreiro. Bem mais tarde, as chansol1s de geste e o ritual da cavalaria contam ainda o amor do homem livre por sua espada. Essas espadas e armas sobrepujam de longe as dos romanos, muito inferiores; sobre o corpo feito de um fino folheado de várias lâminas de ferro tenro e aços muito elásticos e- sólidos, até oito ou dez às vezes, os artesãos germânicos chapeavam e soldavam os gumes de aços temperados e submetidos à cementação, extraduros, tão cortantes e resistentes como os aços especiais atuais (E. Salin).

Parecem raros, entretanto, os grandes feitos de armas ou os combates decisivos que atraem a atenção dos cronistas, como a vitória dos godos em Andrinopla contra as tropas de Valêncio (9 de agosto de 378) ou a desastrosa travessia do limes sobre o Reno (31 de dezembro de 406) pelos vândalos e seus aliados, ou ainda as brutais conquistas da Espanha pelos mesmos vândalos (409), do Alvergue pelos visigodos.

Com maior freqüência, os bárbaros introduzem-se no Império sem choques, à custa de acordos variados que lhes abriam pacificamente o limes: infiltrações lentas e insensíveis, migrações mais que invasões. Roma, séculos após, recrutava mercenários bárbaros, cavaleiros ou infantes, para seus corpos auxiliares: assim os ripar ioli, que guardavam as margens do Ródano e do Reno. A alguns de seus chefes confiava até mesmo comandos militares e a tarefa de repelir ataques de novos bárbaros, ainda estrangeiros, mas impacientes por servir...ou pilhar o Império. Nas fronteiras e, por vezes, no interior distante, instalava, para defender e repovoar os campos, colônias de guerreiros germânicos, antigos prisioneiros às vezes, de início submetidos a uma rigorosa disciplina militar e severamente isolados das populações romanizadas. A lembrança desses laeti - letos - manteve-se por muito tempo em certos topônimos (Alemanha em relação aos alamanos, por exemplo). A ambição dos bárbaros era obter dos romanos a hospitalidade, que lhes assegurava terras em troca de serviços militares e do respeito às leis do Império. As tribos, populações ou povos inteiros, obtinham assim um fondues, tratado que precisava as condições de estabelecimento dos federados em terras abandonadas ou nos domínios de grandes proprietários romanos. Esses acordos, que revivem certas tradições próprias ao alojamento de soldados do exército imperial em campanha, atribuíam a cada família bárbara uma parte - sors - das terras do "hospedeiro" (um terço ou dois terços, conforme ocaso), enquanto os bosques e os pastos permaneciam freqüentemente indivisíveis. Os guerreiros fede­rados foram com freqüência aliados fiéis de Roma, ávidos a defender-lhe as fronteiras.


OS POVOS BÁRBAROS

Os gregos, depois os romanos, designavam pelo nome de bárbaros todos os povos declaradamente estrangeiros, rebeldes à sua civilização, seu modo de vida, suas estruturas econômicas e sociais, sua cultura, e mesmo à sua língua. De fato, o bárbaro, ao longo de todo o Império, é o homem das estepes ou das florestas, nômade mesmo nas cidadelas de agricultores, incapaz em todo caso de assimilar a civilização greco-romana, essencial­mente urbana. Por volta do século V, a palavra é sobretudo cômoda para dissimular uma ignorância quase total dos povos além do limes. Ainda hoje, a história dos bárbaros, que, do século III ao XI, atacam o Ocidente. permanece bem mal conhecida. Os seus próprios nomes são por vezes incertos: esses povos formam muitas vezes vastas confederações, instáveis. compostas por tribos de origens muito diversas, que se valem do povo vencedor, adotam seu nome, para depois trocá-lo assim que mude a sua sorte.

Pode-se, entretanto, distinguir:

- Os povos iranianos de raça branca, que, provenientes das altas planícies do Tur­questão e do Khorassan na Asia Central, se estabeleceram nas estepes às margens do Mar Negro; são os citas, os sármatas e depois, principalmente, os alanos, senhores de um grande império.

- Os asiáticos nômades de raça amarela, que se podem qualificar como turcos, sucessiva­mente os hunos e os ávaros.

- Mais numerosos, os germanos, vasto grupo étnico, na realidade muito heterogêneo, sem dúvida originário das províncias meridionais da Escandinávia e cujas primeiras migra­ções remontam ao segundo milênio antes de Cristo. Detidos longo tempo pelos celtas (sé­culo, V ao lI), os germanos continuaram em seguida seu avanço em direção ao sul, cho­cando-se então com os romanos. Daí os ataques espetaculares de duas populações germânicas, os teutões e os cimbros, vencidos por Mário na Provença e na Itália do Norte (102-101 a.C.). No século IV de nossa era, os germanos formam em toda a Europa, fora do limes romano, poderosas confederações de nomes diversos, distintas sem dúvida por suas características étnicas, suas línguas cada vez mais diversificadas, seus gêneros de vida e suas atividades sobretudo: os gados da estepe, pastores nômades, os germanos das florestas da Europa central, os saxões e os frisões das margens nórdicas, criadores de gado, marinheiros e piratas.


AS INVASÕES GERMÂNICAS

Em 375, os hunos, provenientes da Ásia, destruíram o Império alano das margens do Cáspio, deslocaram todos os seus inimigos em direção ao oeste e fundaram, no início do século V, na Europa Central, um vasto Estado nômade, de fronteiras incertas, dirigido por um rei todo-poderoso, hereditário. Uma casta de nobres, administradores do palácio, auxilia-o. Átila, rei em 434, conduza princípio seus exércitos contra o limes do Oriente e as cidades dos Balcãs e, posteriormente, em 451, saqueia todo o norte da Gália: contido, porém, pelas muralhas de Orléans, repelido nos Campos catalâunicos, na Champagne, diante dos romanos e de seus aliados bárbaros, volta-se, no ano seguinte, contra a Itália, toma e pilha todas as cidades da baixa planície do Pó. Sua morte em 453, entretanto, anuncia a deslocação do Império dos hunos, tão temido pelos romanos. Em con­seqüência disso, os empreendimentos brutais, devastadores dos outros nômades da Ásia permanecem marginais ou sem continuidade. No século VI. Os ávaros chocam-se com as defesas do Danúbio, instalam-se nas planícies da Panônia, mas sua expansão em direção ao Ocidente é severamente contida pelos contra-ataques dos francos.

De fato, a história das invasões bárbaras, do século IV ao VII é, antes de tudo, para o Ocidente cristão, a das migrações germânicas.

Em terra, essas migrações atingem de início as províncias orientais do Império: é a "primeira vaga" germânica (L. Musset), a dos gados que ocupam a Ilíria. Mal estabelecidos no Império, encarregados de resta­belecer o: ordem, de perseguir ou dizimar os bárbaros mais turbulentos, os visigodos (godos do oeste) obtêm um foedus em 418 e um vasto reino que reúne a Aquitânia e a Espanha. Os ostrogodos (gados do leste), de início estabelecidos por um foedus (455) nas planícies do médio Danúbio, ameaçam constantemente os Balcãs, atingem mesmo Constantinopla e, deslocados finalmente para o oeste pelo imperador bizantino Zenão, tomam o Itália, conduzidos por seu rei Teodorico (489-493). Na mesma época, outros povos bárbaros haviam atacado diretamente o limes ocidental. Os vândalos cruzam à força o Reno em 406, entram na Espanha três anos mais tarde e, perseguidos e seriamente derrotados pelos visigodos, passam pos­teriormente à Africa (429), onde, apesar da assinatura de um foedus (435), conquistam as melhores províncias romanas. Os borgúndios, que foram sempre auxiliares do Império, estabelecem-se primeiramente no Reino (foedus de 413), fundando a seguir um poderoso reino, que tendo como eixo suas duas capitais, Lyon e Genebra, reúne as regiões do Saona e do Ródano até o rio Durance. Nas fronteiras das províncias mais ocidentais, já enfraquecidas, afirma-se, porém, a espantosa sorte política dos francos, povo por muito tempo obscuro, antes uma confederação de populações mais ou menos autônomas, que jamais tentaram ataques frontais contra o limes, infiltrando-se, entretanto, lentamente; eram soldados do exército imperial em toda a Gália, colonos militares estabelecidos muito cedo na Bélgica e nas margens do Reno (o primeiro foedus data do fim do século IlI) e depois nas terras abandonadas pelas defesas romanas. Mais tarde, outros povos francos, que haviam permanecido na Germânia, aproveitaram-se da abertura oferecida pelos vândalos em 406 e se instalaram como conquista­dores nos vales do médio Reno e do Mosela, tomando as fortalezas e devas­tando as cidades ainda prósperas.

Nascido por volta de 465, Clóvis tornou-se, aproximadamente em 481, Chefe dos francos sálios da região de Tournai e, pacientemente, conquistou ou reuniu num vasto reino todas as províncias da Gália do Norte.

Uma segunda vaga de invasões terrestres atinge, bem mais tarde ainda, a Itália retomada pela reconquista bizantina (536-552). Em 568, os lombardos, germanos estabelecidos na Panônia (foedus em 540), pressionados pelas ameaças dos ávaros, abandonam suas terras e, liderando um exército composto por toda sorte de tribos germânicas e asiáticas, forçam o limes do Friul. A conquista, a princípio fácil, choca-se com a resistência obstinada dos bizantinos, que fortificam os portos, as costas e o novo limes no Apenino. Desse modo, os bizantinos só perdem Gênova em 640 e Ravena em 751. Algum tempo depois, os lombardos formaram um sólido Estado, centralizado sobretudo na planície do PÓ, em volta de Milão, de Verona, de Pavia, tomada em 572 e que se tornou capital a partir de 626.

Entrementes, da mesma forma espetaculares. as migrações marítimas dos germanos do Norte desordenavam o mapa étnico e político de toda a Europa do Nordeste. Desde o fim do século III, os ataques dos piratas saxões. transportando-se ainda em canoas precárias, estendiam-se por todas as margens do mar do Norte, da Mancha e do Atlântico até os estuários da Galiza. Do que resultam as construções de obras de defesa costeira, formando o litus saxonicum, sólido e contínuo, sobretudo no litoral oriental da Bretanha. A esses ataques audaciosos, muitas vezes devastadores, su­cedem-se tentativas de povoamento, muito tímidas no continente (região de Boulogne e da bacia normanda), mais importantes, porém na Bretanha, lá, os saxões, acompanhados por outros povos marítimos do Norte, frisões, jutos e anglos, encontram uma região abandonada por Roma e Ravena, enfraquecida pelas lutas entre os pequenos reis celtas. As tribos conquis­tadoras, vindas do baixo Saxe, da Jutlândia, estabelecem-se a princípio, no século V, nos estuários do Bambar e do Tâmisa, nas charnecas do Wash (Fens) e nas margens do Kent. A partir desses pontos de apoio, dirigem·se em seguida para o interior, ao mesmo tempo que suas diversas populações se reúnem, no século VI, de um modo ainda incerto, em vários reinos mal fixados: Nortúmbria, Bemícia, Mércia, Wessex, Sussex.


AS REVOLTAS INDÍGENAS

Essas grandes migrações germânicas suscitam, entretanto, no interior do próprio Império, profundas alterações. Arruinaram, na Africa princi­palmente, as defesas das cidades contra as tribos nômades e, em todo lugar, na Gália, na Espanha, na Bretetnha, provocaram revoltas dos povos indígenas, ainda mal submissos, mal assimilados à civilização urbana dos romanos. Decorre disso uma viva e complexa ressurreição de tradições autóctones, de folclore fundamental. muito sensível na evolução dos gêneros de vida, dos cultos religiosos. das formas de expressões artísticas (princi­palmente temas ornamentais); essa revivescência marca também toda a vida política da época. Além das oposições étnicas, acrescentam-se conflitos sociais, que agravam então as complicações econômicas e a miséria cam­ponesa. Todo o Império está, no século V, profundamente perturbado pelas revoltas agrárias: bagaudes da Gália e de Terragona: bandos de rustici do Noroeste da Espanha, circoncellions da Africa.

Outra revivescência brutal, geralmente catastrófica, a da pilhagem em terra, da pirataria no mar, que, em todo lugar, arruína a segurança e as comunicações, isola províncias inteiras, acentua os particu1arismos regionais, outrora fundidos pelo Império.

Por outro lado, as migrações germânicas provocam a deslocação para as fronteiras do norte e do leste de todas as forças do Império, enfraquecendo-se assim as outras defesas, contra os bárbaros do Oeste. Desse modo, na África, Roma abandona, desde meados do século V, a província da Mauritânia às tribos berberes insubmissas. Igualmente, a Bretanha, onde as regiões cé1ticas haviam sido outrora ocupadas pelos romanos, sofre, no século V, os avanços dos bárbaros do Norte - os pietos da Escócia - e do Oeste - os escotos da Irlanda. Os escotos obtêm então, nas costas oeste, marcantes êxitos, que correspondem na mesma época aos dos saxões na costa leste: ataques de piratas primeiramente, depois estabelecimentos no País de Gales, Devon, Cornualha e a colonização da Escócia.

Enfim, todas as invasões bárbaras provenientes do leste ou do oeste provocaram, em contrapartida, importantes migrações humanas no interior do império, a maior parte das quais, é verdade, deixou somente traços in­certos. Conhece-se bem apenas a mais importante: a dos celtas ou bre­tões que, abandonando suas ilhas entregues por Roma aos bárbaros, atra­vessam a Mancha para se estabelecerem no sul, na Armórica, nossa Bretanha atual, e mesmo nas margens da Galiza. Este longo exílio (de 450 a 600 aproximadamente) introduz na Armórica estruturas econômicas e sociais, principalmente tradições religiosas, bem particulares, e uma nova língua. Esse particularismo étnico explica a resistência da nova Bretanha à expan­são dos francos que, submetidos a seus avanços, têm de se contentar com a posse de uma marca fronteiriça difícil de ser defendida.


HEERS, J. História Medieval. Lisboa: Difel, 1986.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Império Bizantino

Resumo sobre o Império Bizantino 
Império Bizantino

      O Império Bizantino, nasceu no século IV, quando o Império Romano, estava prestes a perder seu poder, principalmente por conta das invasões  bárbaras em suas fronteiras. Diante de tantos problemas, o Imperador Constantino transferiu a capital do seu império para a cidade do Oriente, Bizâncio, a qual mais tarde passou a ser chamada de Constantinopla. Apesar dessas mudanças demonstrarem a queda do poder ocidental, a localização do novo lugar facilitava o comercio da região, já que ficava entre o Mar Negro e o Mar Mármara o que favorecia a restauração da cidade transformando-a em uma Nova Roma.
     Resumidamente falando, o Império Bizantino foi a continuação do Império Romano durante a Antiguidade Tardia e Idade Média. Como a distinção entre o Império Romano e o Império Bizantino é em grande parte uma convenção moderna, não é possível atribuir uma data de separação. Vários eventos do século IV ao século VI marcaram o período de transição durante o qual as metades Oriental e Ocidental do Império Romano se dividiram.
 
Basílica de Santa Sofia
     A Basílica de Santa Sofia, também conhecida com Hagia Sophia é um imponente edifício construído entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser catedral de Constantinopla. Da data em que foi dedicada em 360 até 1453, ela serviu nesta função, com exceção do período entre 1204 e 1261, quando ela foi convertida para uma catedral católica romana durante o Patriarcado Latino de Constantinopla que se seguiu ao saque da capital imperial pela Quarta Cruzada. O edifício foi uma mesquita entre 29 de maio de 1453 e 1931, quando foi secularizada. Ela reabriu como um museu em 1 de fevereiro de 1935.






Fonte:
 http://www.estudopratico.com.br/resumo-sobre-o-imperio-bizantino/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Sofia



Alyson Yassuo Funo Rodrigues
Mateus Vinicius Rodrigues
Wesley Ribeiro Girotto

LEGADO ROMANO



                                         LEGADO ROMANO


Vários aspectos culturais que surgiram em Roma Antiga foram absorvidos pelos reinos germânicos que foram formados na Idade Média, após as invasões bárbaras dos séculos IV e V. Muitos aspectos culturais romanos foram preservados na Europa Medieval e, a partir do século XVI (época das Grandes Navegações e Descobrimentos), difundidos pela América, África e algumas regiões da Ásia. O legado romano é uma marca fortemente presente nas culturas ocidentais da atualidade, principalmente nas áreas jurídica e linguística. Para administrar o gigante império e ainda criar ordem dentro das cidades, os romanos desenvolveram leis, que deram origem posteriormente aos Códigos Jurídicos. Surgiu assim o Direito Romano que foi usado como base para as futuras sociedades do ocidente. Havia basicamente três categorias do Direito Romano: Direito Privado (leis voltadas para as famílias); Direito Estrangeiro (leis para os estrangeiros) e Direito Público (leis para os cidadãos romanos). A língua falada e escrita em Roma Antiga era o latim. Após a queda do Império Romano e a invasão dos germânicos na Europa, várias línguas se originaram do latim. Estas línguas existem até os dias atuais, sendo as principais: Português, Francês, Italiano, Espanhol e Romeno. Os romanos foram fortemente influenciados pelas Artes Plásticas da Grécia Antiga. Entre as principais características artísticas dos gregos, que chegaram aos romanos, foi a busca pela reprodução do corpo humano e dos elementos da natureza de forma real. O realismo nas esculturas e pinturas, embora tenha sido deixado de lado na Idade Média, foi resgatado na época do Renascimento e preservado por várias correntes e escolas artísticas posteriores, chegando até os dias de hoje .
No campo religioso, os romanos dividiam sua prática religiosa entre os cultos particulares e públicos. Muitos dos cultos eram destinados aos gênios, espíritos e elementos da natureza. Os lares eram as divindades que tomavam conta da família e os penates zelavam da alimentação e dos bens materiais. Comidas e bebidas eram oferecidas em pequenos altares que reuniam os ícones representativos de cada uma das divindades.



No campo político, a questão do Estado e da cidadania fundava diversas concepções do cenário político romano. Saudar e defender Roma eram grande prova da valorização que o indivíduo tinha pela glória e o respeito às tradições do povo romano. Ao mesmo tempo, a organização da sociedade romana tinha muitos de seus aspectos vinculados às leis que regiam os mais diferentes temas do cotidiano romano. As leis eram formadas por diferentes códigos.
O Jus Civile era o principal conjunto de leis e era inspirado nos mais antigos costumes e tradições romanas. Desprovidos das mesmas benesses jurídicas, os estrangeiros tinham um código de leis próprio chamado Jus Gentium. Com relação às relações familiares, o direito romano destinava o Jus Publicum. A tradição jurídica em Roma consolidou diversas escolas de Direito que formavam os juristas responsáveis pelos processos jurídicos da época. Conservando seus princípios ao longo dos tempos, o Direito Romano influenciou a cultura jurídica de diferentes povos europeus.


Fonte:http://www.suapesquisa.com/historia/legado_romano.htm
Fonte:http://www.alunosonline.com.br/historia/legado-romano.html



GESLEN M. DE ASSIS

Cristianismo no império Romano

Início do Cristianismo em Roma

Cristianismo no império Romano
O cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano no ano 380  por ordem do imperador Teodósio I, que tomou a medida numa lei conhecida como Édito de Tessalônica. Antes disso, os cristãos foram, durante muito tempo, impopulares em Roma por não adorarem o imperador e sim outro tipo de rei - Jesus -, o que era encarado como um ato subversivo. Mesmo gerando antipatias - e até perseguições, como no reinado de Nero entre os anos 54 e 68 - eles foram tolerados nos primeiros séculos de vida de sua religião. Com a decadência do império no final do século II e a ameaça de invasões bárbaras, iniciou-se outro período de dura perseguição aos cristãos, que se recusavam a servir no exército romano. Mas nem isso impedia o cristianismo de ganhar seguidores, tornando-se logo a crença mais popular no império. Percebendo a força crescente da religião, o imperador Constantino I resolveu usá-la politicamente para fortalecer seu próprio poder e enfrentar a decadência romana.
Sob a inspiração do lema "um Deus no Céu, um Imperador na Terra", Constantino proclamou em 313 o Édito de Milão, lei que garantia liberdade para cultuar qualquer deus, o que seria fundamental para a futura conversão total do império à religião. "Na prática, o Édito de Milão representou a verdadeira guinada. Teodósio apenas sacramentou um processo de algumas décadas, consolidando a tendência inaugurada por Constantino", diz o teólogo Pedro Vasconcellos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
 Édito de Tessalônica, também conhecido como Cunctos Populos ou De Fide Catolica foi decretado pelo imperador romano Teodósio I a 27 de fevereiro de 380 d.C. pelo qual estabeleceu que o cristianismo tornar-se-ia, exclusivamente, a religião de estado, no Império Romano, abolindo todas as práticas politeístas dentro do império e fechando templos pagãos.
O Édito de Milão (313 d.C.), também referenciado como Édito da Tolerância, declarava que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente do cristianismo. O édito foi emitido pelotetrarca ocidental Constantino I, o grande, e por Licínio, o tetrarca Oriental.

Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89dito_de_Mil%C3%A3o
Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89dito_de_Tessal%C3%B3nica
Fonte:http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-foi-a-conversao-do-imperio-romano-ao-cristianismo
Gabriela Freitas

Correspondência Entre Os Deuses Gregos e Romanos - Religião Romana

Religião Romana

Tema: Correspondência Entre Os Deuses Gregos e Romano


Na mitologia Romana, a religião é Politeísta, ou seja, creem em vários Deuses, e esses deuses têm correspondentes na Mitologia Grega, veja abaixo correspondentes dos deuses maiores:

Júpiter (Romano) -> Zeus (Greco)
Juno (Romano) -> Hera (Grego)
Neptuno (Romano) -> Poseidon (Grego)
Ceres (Romano) -> Deméter (Grego)
Plutão (Romano) -> Hades (Grego)
Vesta (Romano) -> Héstia (Grego)
Vênus (Romano) -> Afrodite (Grego)
Febo (Romano) -> Apolo (Grego)
Marte (Romano) -> Ares (Grego)
Diana (Romano) -> Ártemis (Grego)
Minerva (Romano) -> Atena (Grego)
Baco (Romano) -> Dionísio (Grego)
Vulcano (Romano) -> Hefesto (Grego)
Mercúrio (Romano) -> Hermes (Grego)

*Cada Deus tem um elemento ao qual representa, vejamos os elementos abaixo que representam os deus acima:
Nome gregoEstátuaDescriçãoNome Romano
ZeusBust of Zeus.jpgRei dos deuses e governante do monte Olimpo, deus do céu e das tempestades. O filho mais novo dos titãs Cronos e Reia. Símbolos: o raio e a águia e as barbas.Júpiter
HeraBusto de Hera.JPGRainha dos deuses. Deusa do casamento e da maternidade. Símbolos: o pavão e a vaca. Filha de Cronos e Reia. Mulher e irmã de Zeus.Juno
PoseidãoNeptune Adam 1725 La County Museum California.jpgDeus dos mares, dos terramotos e dos cavalos. Símbolos: hipocampo e tridente. Filho de Cronos e Reia. Irmão de Zeus e Hades.Neptuno
DeméterDemeter Altemps Inv8596 n2.jpgDeusa da agricultura, natureza e estações do ano. Símbolos: papoula e cereais. Filha de Cronos e Reia, irmã de Zeus.Ceres
HadesHades Altemps Inv8584.jpgDeus dos mortos, dos infernos e das riquezas da Terra. Símbolos: Elmo da escuridão, um bidente, um crânio e monstro de 3 cabeças. Filho do titã Cronos e de Reia. Irmão de Zeus e Posidão.Plutão
HéstiaHestia-meyers.pngDeusa virgem do lar e da lareira. Símbolo: Lareira. Filha de Cronos e Reia, e irmã de Zeus.Vesta
AfroditeVenusdarles7.jpgDeusa do amor, da beleza e da sexualidade. Filha de Urano e Talassa. Símbolos: a pomba e o espelho.Vênus
ApoloApollon daphnephoros Musei Capitolini MC2045.jpgDeus do Sol, da cura, da peste, das artes, profecia e do tiro com arco. Símbolos incluem a lira e o arco. Ártemis é sua irmã gémea. Filho de Zeus e de Leto.Febo
AresHead Ares Glyptothek Munich 212.jpgDeus da guerra. Símbolos incluem o javali e a lança. Filho de Zeus e Hera.Marte
ÁrtemisWLA amart 1853 marble Diana.jpgDeusa virgem da caça e da lua. Símbolos incluem o veado e o arco. Irmã gémea de Apolo, filha de Zeus e de Leto.Diana
AtenaHope-Farnese Athena Louvre Ma331 n2.jpgDeusa virgem da sabedoria, ofícios e estratégia militar. Símbolos são a oliveira e o mocho. Filha de Zeus, de acordo com algumas tradições, com Métis.Minerva
DionisoAntinous Dionysos Louvre Ma238.jpgDeus do vinho, das festas e do êxtase. O seu símbolo é a pantera e a videira. Filho de Zeus e da mortal Sémele.Baco
Hefesto03562c - Gandolfi, D. - Vulcano - Porta Venezia, Milano - Foto Giovanni Dall'Orto 23-Jun-2007.jpgFerreiro dos deuses; deus do fogo e da metalurgia. Filho de Zeus e Hera ou, de acordo com algumas tradições, apenas de Hera.Vulcano
HermesHermes pushkin 01.JPGMensageiro dos deuses; deus do comércio e dos ladrões. Símbolos incluem o caduceu e as botas com asas. Filho de Zeus e da ninfa Maia.Mercúrio

Autor: Gabriel Dias Praça

Fontes: Google Images e Wikipédia.com

O Imperio Romano

                              




                                       ROMA ANTIGA: O IMPÉRIO
                                                                             Império Romano: 27 a.C. - 476 d.C.




  Introdução


A história de Roma Antiga é fascinante em função da cultura desenvolvida e dos avanços conseguidos por esta civilização. De uma pequena cidade, tornou-se um dos maiores impérios da antiguidade. Dos romanos, herdamos uma série de características culturais. O direito romano, até os dias de hoje está presente na cultura ocidental, assim como o latim, que deu origem a língua portuguesa, francesa, italiana e espanhola.

Origem de Roma: explicação mitológica


Os romanos explicavam a origem de sua cidade através do mito de Rômulo e Remo. Segundo a mitologia romana, os gêmeos foram jogados no rio Tibre, na Itália. Resgatados por uma loba, que os amamentou, foram criados posteriormente por um casal de pastores. Adultos, retornam a cidade natal de Alba Longa e ganham terras para fundar uma nova cidade que seria Roma.

Origens de Roma : explicação histórica e Monarquia Romana (753 a.C a 509 a.C)

De acordo com os historiadores, a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que foram habitar a região da Península Itálica: gregos, etruscos e italiotas. Desenvolveram na região uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta época, era formada por patrícios ( nobres proprietários de terras ) e plebeus ( comerciantes, artesãos e pequenos proprietários ). O sistema político era a monarquia, já que a cidade era governada por um rei de origem patrícia.
A religião neste período era politeísta, adotando deuses semelhantes aos dos gregos, porém com nomes diferentes. Nas artes destacava-se a pintura de afrescos, murais decorativos e esculturas com influências gregas.

                                           República Romana (509 a.C. a 27 a.C)
Mito da fundação de Roma: loba amamentando Rômulo e Remo
Durante o período republicano, o senado Romano ganhou grande poder político. Os senadores, de origem patrícia, cuidavam das finanças públicas, da administração e da política externa. As atividades executivas eram exercidas pelos cônsules e pelos tribunos da plebe.
A criação dos tribunos da plebe está ligada às lutas dos plebeus por uma maior participação política e melhores condições de vida.
Em 367 a.C, foi aprovada a Lei Licínia, que garantia a participação dos plebeus no Consulado (dois cônsules eram eleitos: um patrício e um plebeu). Esta lei também acabou com a escravidão por dívidas (válida somente para cidadãos romanos).

Mito da fundação de Roma: loba amamentando Rômulo e Remo

Formação e Expansão do Império Romano

Após dominar toda a península itálica, os romanos partiram para as conquistas de outros territórios. Com um exército bem preparado e muitos recursos, venceram os cartagineses, liderados pelo general Anibal, nas Guerras Púnicas (século III a.C). Esta vitória foi muito importante, pois garantiu a supremacia romana no Mar Mediterrâneo. Os romanos passaram a chamar o Mediterrâneo de Mare Nostrum.
Após dominar Cartago, Roma ampliou suas conquistas, dominando a Grécia, o Egito, a Macedônia, a Gália, a Germânia, a Trácia, a Síria e a Palestina.

Com as conquistas, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O império romano passou a ser muito mais comercial do que agrário. Povos conquistados foram escravizados ou passaram a pagar impostos para o império. As províncias (regiões controladas por Roma) renderam grandes recursos para Roma. A capital do Império Romano enriqueceu e a vida dos romanos mudou.

                     


                                          Pão e Circo 

Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios ( o mais famoso foi o Coliseu de Roma ), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.

Luta de gladiadores: 
pão e circo



Cultura Romana

A cultura romana foi muito influenciada pela cultura grega. Os romanos "copiaram" muitos aspectos da arte, pintura e arquitetura grega.
Os balneários romanos espalharam-se pelas grandes cidades. Eram locais onde os senadores e membros da aristocracia romana iam para discutirem política e ampliar seus relacionamentos pessoais.

A língua romana era o latim, que depois de um tempo espalhou-se pelos quatro cantos do império, dando origem na Idade Média, ao português, francês, italiano e espanhol.
A mitologia romana representava formas de explicação da realidade que os romanos não conseguiam explicar de forma científica. Trata também da origem de seu povo e da cidade que deu origem ao império. Entre os principais mitos romanos, podemos destacar: Rômulo e Remo e O rapto de Proserpina.

Religião Romana 

Os romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. A grande parte dos deuses romanos foram retirados do panteão grego, porém os nomes originais foram mudados. Muitos deuses de regiões conquistadas também foram incorporados aos cultos romanos. Os deuses eram antropomórficos, ou seja, possuíam características ( qualidades e defeitos ) de seres humanos, além de serem representados em forma humana. Além dos deuses principais, os romanos cultuavam também os deuses lares e penates. Estes deuses eram cultuados dentro das casas e protegiam a família.

Principais deuses romanos : Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco.


Crise e decadência do Império Romano

Por volta do século III, o império romano passava por uma enorme crise econômica e política. A corrupção dentro do governo e os gastos com luxo retiraram recursos para o investimento no exército romano. Com o fim das conquistas territoriais, diminuiu o número de escravos, provocando uma queda na produção agrícola. Na mesma proporção, caia o pagamento de tributos originados das províncias.
Em crise e com o exército enfraquecido, as fronteiras ficavam a cada dia mais desprotegidas. Muitos soldados, sem receber salário, deixavam suas obrigações militares. 

Os povos germânicos, tratados como bárbaros pelos romanos, estavam forçando a penetração pelas fronteiras do norte do império. No ano de 395, o imperador Teodósio resolve dividir o império em: Império Romano do Ocidente, com capital em Roma e Império Romano do Oriente (Império Bizantino), com capital em Constantinopla.
Em 476, chega ao fim o Império Romano do Ocidente, após a invasão de diversos povos bárbaros, entre eles, visigodos, vândalos, burgúndios, suevos, saxões, ostrogodos, hunos etc. Era o fim da Antiguidade e início de uma nova época chamada de Idade Média.


Legado Romano

Muitos aspectos culturais, científicos, artísticos e linguísticos romanos chegaram até os dias de hoje, enriquecendo a cultura ocidental. Podemos destacar como exemplos deste legado: o Direito Romano, técnicas de arquitetura, línguas latinas originárias do Latim (Português, Francês, Espanhol e Italiano), técnicas de artes plásticas, filosofia e literatura.



A ORDEM ROMANA E A PAZ ARMADA

A paz romana, organizada por Augusto e mantida, durante dois séculos pelos seus sucessores, não foi uma paz calma, fraca ou destituída de energia. "Romana", foi-o na verdade: concebida por Roma à sua maneira, imposta e fiscalizada por Roma; esta, a fim de fazê-la reinar, não se esqueceu de conservar os meios que lhe permitissem recorrer à força, em caso de necessidade. 
Continuava a existir a possibilidade de revoltas internas. ( ... ) A solução consistindo em instalar, a título permanente, tropas de ocupação no coração das províncias quase nunca foi adoptada. ( ... ) (Os imperadores) contaram sobretudo com as tropas estacionadas nas fronteiras e aptas a voltarem-se, em caso de necessidade, contra o interior da região considerada ( ... ). 
Se a paz interna não foi absoluta, a paz externa ainda o foi menos  (... ). Com muita frequência realizavam-se guerras cujo objectivo era a conquista (...). Umas inspiraram-se num imperialismo caracterizado, desejoso de anexar novos territórios a explorar. (...) Outras guerras eram destinadas apenas a facilitar, contra um perigo reconhecido ou eventual, a organização local ou geral da defesa do Império. O seu objectivo era inflingir uma lição a vizinhos turbulentos ou, então, reforçar uma fronteira, por meio da criação duma zona protectora (...). 
Assim, imperfeita, ameaçada e resolvida de boa vontade (por ser "romana" e "augusta") a mostrar-se ameaçadora a fim de fazer-se respeitar, a paz só podia ser, nos seus melhores momentos, uma paz armada. 
A paz romana era, naturalmente, uma paz que protegia a civilização que Roma reivindicava, isto é, a seus olhos, uma civilização superior, e mesmo a civilização propriamente dita.


A Pax Romana

Foi nesse período que os romanos chegaram ao apogeu político e cultural. A Pax Romana foi o período em que as guerras de expansão tiveram fim. Com isso houve um grande investimento nas artes, literatura, na filosofia, na arquitetura e no Direito. As cidades foram construídas, as estradas, aquedutos e muitas outras. Mas, com a Pax Romana começaram a surgir alguns problemas, pois como não haviam mais guerras começou a faltar mão de obra escrava. Consequentemente a produção diminuiu, os preços foram aumentando e os governantes foram obrigados a aumentar os impostos.


                                                                                                          - Milton Barbosa